Avenida Q – Uma comédia musical politicamente incorreta

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“Avenida Q” ganhou sua primeira grande produção para os palcos tupiniquins em 2009, no Rio de Janeiro. Atualmente, está em cartaz em sua última semana no teatro Sérgio Cardoso em São Paulo, sob a direção de Christina Trevisan.

O elenco do espetáculo Avenida Q, para a temporada popular na cidade de São Paulo, é composto por: Marilice Cosenza, Roberto Donadelli, Will Anderson, Leandro Lacava, Carla Masumoto, Adriano DiSidney, Andreza Medeiros, Rafael Pucca, Marcos Lanza, Talitha Pereira e Andrei Presser.

Os bonecos, a música alegre do espetáculo e personagens caricatos nos transportam imediatamente para nossa infância. Não tem como não se referir ao programa norte-americano “Vila Sésamo”. A produção do espetáculo, é claro, também não deixa de brincar com isso e enquanto aguardamos o soar do terceiro sinal para o início do primeiro ato, uma das músicas que se escuta é do famoso programa infantil.

As cortinas se abrem e o primeiro ato se inicia. Uma música animada começa a tocar e os personagens apresentam o cenário que dá nome à peça como a abertura de um programa infantil. Porém após a primeira canção, Brian e Kate entram em cena e começam a cantar uma música com um refrão bem “chiclete” que diz “Olha que merda que eu tô”.

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O espetáculo mistura bonecos e atores e conta a história de Princeton, um jovem recém-graduado e cheio de esperanças sobre seu futuro que está em busca de seu “Rumo” na vida. Sua intenção era morar na Avenida A, mas por questões orçamentárias foi caminhando até chegar a Avenida Q onde alugou uma casa e conheceu os demais personagens.

O que chama a atenção e que certamente contribuiu para ganhar inúmeros prêmios é que Avenida Q, apesar da estética infantil, aborda assuntos de “gente grande” como racismo, homossexualidade e pornografia com humor um tanto quanto “negro”.

O texto original foi escrito por Robert Lopez e Jeff Marx e estreou em Março de 2003 na OffBroadway Vineyard Theatre. Mesmo se ambientando em Nova Iorque, a produção nacional conseguiu dar um toque de “brasilidade” com “cacos” e nomes de personagens como a professora do jardim de infância Dilma, por exemplo.

Intervalo – Avenida Q com a Paulista

Durante as manifestações populares em São Paulo, “Avenida Q” tomou as ruas também com seu elenco e bonecos.

Com a grande diversidade do elenco e tom ácido de críticas sociais, é fácil entender o engajamento do elenco nos movimentos populares de São Paulo.

2º Ato – Schadenfreude

É claro o tom bem humorado e sarcástico do texto. O uso de fantoches em cenas de sexo, discursos sobre internet e pornografia e o drama do homossexual enrustido é citado e discutido a cerca desta peça desde sua estréia em 2003. No entanto a grande marca que o espetáculo deixa em seus espectadores é como lidar com a desilusão e desesperança que surge quando deixamos de ser criança.

Quando vamos ao teatro colocamos nosso coração e emoções nas mãos dos atores, diretores, coreógrafos, produtores e staff. Ao ver os bonecos e cenário colorido, imediatamente nos transportamos para a infância, uma época de sonhos e esperança, onde acreditávamos que tudo era possível. Porém a história é narrada no mundo dos adultos, onde existem contas para pagar, pressões sociais (e hormonais), angústias, dúvidas e muitas vezes deixamos nossos sonhos de lado.

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A genialidade deste texto é poder tocar nestes temas de forma descontraída e bem-humorada. 

Schadenfreude é um termo importado do alemão que designa o sentimento de satisfação diante do infortúnio de terceiros. O segundo ato é aberto com uma explanação muito didática sobre tema e mostra como é natural sentir vontade de dar risada ao ver uma pessoa cair no chão, por exemplo.

De maneira geral o espetáculo mostra de forma alegre e bem humorada os dramas sociais e humanos que vivemos e propõe a solução de ser capaz de olhar o outro e por meio de ações altruísticas.

Neste jovem redator que aqui escreve despertou para a realidade de dia após dia viver nesta sociedade com a esperança do coração de um infante.

Avenida Q está em sua última semana desta temporada e com ingressos populares: quinta-feira às 21h, sábado e domingo às 16h no Teatro Sérgio Cardoso.

Clique no link e tenha um gostinho do espetáculo.

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Texto: Vitor Assano

Fotos: Erik Almeida/Divulgação 

Blog Balaio Cultural SP e RJ

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